A mitologia de Krynn

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Os deuses da luz

O maior entre todos os deuses do bem é Paladine, o Paladino Celestial e Dragão de Platina. O mais poderoso entre todos os deuses, com exceção de Caos, Paladine é o modelo de virtude e santidade, patrono da grande virtude da Caridade. Líder da Ordem da Luz, ele protege Krynn contra os planos de Takhisis e conduz tanto os mortais quanto os seus companheiros divinos no caminho da justiça e da honestidade. Dessa forma, ele guia todos aqueles que protegem os inocentes e buscam levar os outros até a verdade e a bondade. Seu papel como líder e mantenedor de Krynn é moderado por uma profunda e sincera humildade, a qual ele empenha-se em inculcar em seus seguidores também.

Majere é apenas um pouco menos poderoso que Paladine. Paladine ama e reverencia o Deus Supremo (High God) com uma força e profundidade maior que quaisquer Poderes. Majere é aquele que, dizem, tem o maior entendimento da sabedoria do Deus Supremo e dos Planos Celestiais, ultrapassando em conhecimento até mesmo Gilean. Dessa forma, Majere serve como um conselheiro para Paladine e mantém a virtude da Fé, assim como a diligência que encoraja os mortais a perseguirem valores do espírito a despeito dos esforços e testes que esse caminho possa acarretar. Os monges são os seguidores de Majere mais distintos, mas ele também é reverenciado por muitos místicos e teólogos, assim como os intelectuais e espirituais dragões dourados.

Mishakal, a terceira entre os deuses do Bem, é quase tão querida pelas pessoas de Krynn como Paladine. Curandeira e Consoladora, Mishakal esforça-se para trazer socorro e conforto àqueles que sofrem em corpo e mente. Das virtudes, Esperança é a que mais lhe diz respeito, enquanto ela inspira os mortais a acreditarem nas promessas e nos planos do Deus Supremo e no triunfo inevitável do Bem. Ela é também a matrona do amor natural, seja ele entre pais e filhos, irmãos e irmãs, ou maridos e esposas. Os dragões de prata, que compartilham do interesse e da empatia de Mishakal pelos mortais, a reverenciam profundamente.

De todos os deuses da Luz, Kiri-Jolith, Espada da Justiça, é o mais marcial. Incansável na sua perseguição por Justiça, Kiri-Jolith inspira os seus seguidores, dentre eles alguns dragões de cobre, a protegerem os inocentes e punirem as forças do Mal. Ele não é impiedoso em sua cruzada, porém, e guia seus seguidores e aqueles que o procuram para temperar a justiça com clemência e não ser arrastado pela sede de sangue e pela ira.

Habbakuk, aliado próximo de Kiri-Jolith, é o Príncipe das Bestas e Lorde dos Mares. Ele promove o respeito pelas glórias naturais de Krynn e ensina os mortais a verem neles o reflexo da glória e da virtude do eterno. Ao mesmo tempo, ele inspira Temperança, que mantém as paixões das qualidades e instintos animais dos mortais em harmonia e equilíbrio. Com os dragões metálicos, ele compartilha a afeição pelo mar.

Enquanto Habbakuk ensina a devoção às belezas naturais, Branchala inspira a arte, a coragem e a generosidade. Ele encoraja as pessoas de Krynn a usarem talentos artísticos para alegrarem os outros, assim como instigarem coragem, enfrentarem medos e empenharem-se pelo bem a despeito do perigo e da oposição.

O último dentre os deuses da Luz é Solinari, o Arquimago Branco, Guardião da Lua Prateada. Toda a Magia Branca pertence ao seu domínio e todos os magos a serviço do bem lhe prestam honras e consentimentos. Em retorno, Solinari ensina-lhes Sabedoria, ajudando a guia-los no conhecimento de quando usar seus poderosos dons para melhor favorecer os fins do Bem e protegendo-os de serem consumidos pelo desejo de poder mágico, como acontece a tantos magos da Ordem dos Mantos Negros.

Os deuses da neutralidade

Os dragões de bronze e de latão muitas vezes se aliam aos deuses neutros.

Gilean, o Observador e Guardião do Tobril, é o mais destacável dos deuses neutros em termos de poder, mas ele tem muito pouco seguidores em Krynn. Frio de coração e impassional em espírito, Gilean simplesmente observa, intervindo apenas quando parece que um dos lados no grande conflito pode encerrar o “experimento” prematuramente. Apesar de não buscar seguidores, o deus aceita a lealdade de historiadores, cientistas e outros que se empenham por Conhecimento objetivo e genuíno.

Reorx, Senhor da Terra, é também o patrono dos artífices. Seu interesse é com a atenção do artesão ao seu Ofício e à qualidade dos resultados. Ele é o patrono especial dos anões, que são os descendentes dos humanos os quais ele tomou para seus serviços e ensinou-lhes segredos.

Enquanto Reorx tem interesse no artesanato, Shinare é a matrona do Comércio, interessada pelos ciclos de trocas, comercializações e desenvolvimento econômico. Apesar de admirada por mercadores honestos, ela é reverenciada apenas por aqueles que, sempre confiáveis, não vêem nada na vida além de seus negócios. Alguns comerciantes caem presas da cobiça e deslizam, sabendo ou não, para as mãos de Hiddukel.

Sirrion, Mestre da Chama, é primariamente interessado em seu elemento de propriedade, o Fogo, mas também mantém interesse em aspectos como inspiração, criatividade e paixão. A alquimia é um assunto favorecido, assim como quaisquer outros que busquem a transformação, ou momentos singulares de beleza e intensidade. O mais caótico entre os poderes Neutros, sua tendência em focar no momento sem pensar nas conseqüências já fez de Sirrion por muitas vezes um peão dos deuses do Mal.

Chislev, Dama dos Bosques, tem interesse pela manutenção do Mundo Natural de Krynn como ele é. Ela não busca mostrá-lo como um reflexo do Bem, como faz Habbakuk, mas ela também não tenta dominar a natureza e usa-la como uma arma, como faz Zeboim. Ela preocupa-se, principalmente, com as plantas e as árvores de Krynn, mais do que com os animais do mundo. De todos os poderes Neutros, ela é, talvez, a que mais intervém nos acontecimentos do mundo, tentando proteger a natureza das devastações do Mal ou do dano “necessário” causado como um efeito colateral quando o Bem defende a si mesmo e o mundo contra os avanços da escuridão.

Zivilyn, Guardião da Sabedoria, é auxiliar de Gilean e companheiro de Chislev. Diferentemente de Gilean, que persegue o conhecimento do que está no exterior dos mortais, Zivilyn encoraja os mortais a procurarem dentro de si mesmos, encontrando Sabedoria em seus próprios corações. Sua aproximação às vezes traz tranqüilidade, às vezes, loucura. Zivilyn vê ambas como caminhos viáveis para o autoconhecimento e esclarecimento.

A sétima e última entre os deuses da Neutralidade é Lunitari, a Dama da Lua Escarlate e a Feiticeira Vermelha. Como Senhora da Magia Vermelha, os magos dos Mantos Vermelhos lhe prestam homenagem. Lunitari tem simpatia por ilusão e enganação, o que lhe faz favorecida entre infiéis em relacionamentos amorosos, mas sua preocupação primária é com a magia para os fins da magia, seja ela uma parte da criação ou uma ferramenta para dominação.

Os deuses da escuridão

Com Caos banido, Takhisis, Rainha da Escuridão, tornou-se a principal oponente da Verdade e da Luz sob Krynn. É dito por alguns que ela traiu Caos e roubou parte de seu poder. O que é comumente aceito é que ela herdou o orgulho megalomaníaco do Deus Insano. Ela vê a si mesma como o centro e o mestre, por direito, de toda a criação. Dessa maneira, a rainha dos vícios, desagradável aos outros, encontra-se constantemente tentando mortais para que esses se afastem do Deus Supremo direto para suas garras. A Rainha-Dragão também retém interesse na luxúria. Ela procura prazeres confusos do espírito – adoração e Submissão – para com ela mesma, e ela incute desejos desordenados por prazeres carnais nos mortais, seduzindo-os mais facilmente ao caminho da escuridão dessa maneira.

Sargonnas, o Vingativo, coloca-se próximo a Takhisis nas cortes dos deuses da noite, e ele ressente-se disso profundamente. De fato, Sargonnas ressente-se de cada desfeita ou insulto, e, dessa forma, ele é dominado pelo vício da ira na qual seus campeões são encorajados à matança sanguinária e punição rígida pela menor ofensa, movidos pelo sentimento da Vingança. Dragões azuis, que manifestam temperamentos explosivos, são os favoritos dessa divindade.

Chemosh, o Lorde dos Mortos-vivos, coloca-se como contraparte a Majere e como o mestre dos conselhos perversos. Ele é especializado em incutir indolência, que congela o espírito, extinguindo as chamas do amor e da fé e, enquanto promete conforto e comodidade, torna a vida em um escárnio frio, triste e sem amor. Em muitos casos, acaba-se culminando na vida sombria dos Mortos-vivos, os quais Chemosh alimenta e abriga. Os dragões brancos, inclinados à mesma frieza e longas hibernações, estão geralmente associados com o Príncipe dos Ossos.

Morgion, o Febril, reside solitário. Ele perdeu a glória e a majestade que ele tanto prezava nos dias antigos, quando ele escolheu ficar com Takhisis em sua rebelião. Ele foi ferido na Guerra de Todos os Santos, reduzido a farrapos e decadência. Como os outros deuses do Mal, ele tanto sofre do seu vício, como o encoraja. No seu caso, ele incute o pecado da inveja, que ressente-se pelo bem dos outros e busca reduzir a todos à miséria comum. Morgion aprecia, preferencialmente, a disseminação de Doenças, que causam sofrimento à carne, e de falsidades, que geralmente trazem à tona torturas da mente e da alma. Qualquer um que se sentir prejudicado pelo bem de outros ou que procura induzir fraqueza e depressão a alguém encontra no Semeador de Doenças um aliado. Por causa disso, Morgion é favorecido pelos maliciosos dragões verdes, que ressentem e odeiam virtude e honestidade e desejam causar dor e angústia no corpo e espírito.

Hiddukel, Príncipe do Ouro Manchado, é, talvez, o mais freqüentemente invocado de todos os Poderes Malignos, já que ele é o patrono da Avareza. Dessa maneira, ele é respeitado pelos ladrões, mercadores corruptos e por todos que são seduzidos pelo chamariz do ferro ou do ouro. Hiddukel se esforça muito para manter sua devoção, já que ele próprio é dominado pela ambição por almas. Dragões vermelhos, os mais avarentos de sua espécie, geralmente prestam tributos à Hiddukel e buscam seu auxílio em suas aquisições.

Zeboim, Dama das Tempestades, presta pouca atenção às intrigas dos deuses ou aos assuntos dos mortais. Como divindade representante da glutonaria, ela passa grande parte do seu tempo tentando consumir o máximo que puder angariado das profundezas dos Mares de Krynn, se ocupando com marinheiros individuais até navios, cidades ou ilhas. Ela é a matrona caprichosa, de humor tempestuoso, dos oceanos. Dragões negros são seus favoritos, devido ao amor deles por água e pela sua fome insaciável.

Nuitari, Mestre da Lua Sombria e o Feiticeiro Negro, é o último dos deuses do Mal. Desejoso de reconhecimento e inclinado à vaidade, ele encoraja o crescimento da Magia Negra e tenta sufocar o trabalho de Solinari e de Lunitari para que ele, sozinho, seja reconhecido como a fonte de magia arcana no mundo. Seus seguidores são quase sempre obcecados pelo aumento de suas habilidades mágicas, tornando-se os maiores e mais poderosos magos na história de Krynn, e sendo temidos ou reverenciados por isso.

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